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Entrevista com Ocimar Munhoz Alavarse, da FE-USP

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Publicada: 06/08/2015

“Uma concepção de educação integral envolve uma ampla discussão sobre o currículo”

Em entrevista ao Cenpec, Ocimar Munhoz Alavarse, comenta a discussão sobre educação integral que acontece em Salvador envolvendo educadores de 14 escolas da rede municipal.

 


 

O Plano Nacional de Educação prevê que, até 2024, o Brasil deverá oferecer Educação Integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, e atender, pelo menos, 25% dos estudantes da Educação Básica. Frente a esse desafio, o professor da Universidade de São Paulo, Ocimar Munhoz Alavarse, traz alguns pontos para o debate sobre a concepção de educação integral que está em discussão no país e comenta como essa discussão tem ocorrido com educadores da rede municipal de ensino de Salvador, onde ele atua como consultor.

 

Junto com a equipe técnica do Cenpec e da Fundação Itaú Social, Ocimar tem apoiado a Secretaria Municipal de Educação de Salvador na implementação do Programa Aluno Integral em 14 escolas de Ensino Fundamental da rede. Confira abaixo a entrevista.

 

Cenpec: Como tem sido as discussões para a elaboração do Plano de Educação Integral em Salvador?
Ocimar Munhoz Alavarse: O nosso papel é elaborar uma proposta, um documento que fundamente e organize as diretrizes educacionais da Educação Integral. A metodologia prevê a escuta e a participação de educadores (coordenadores pedagógicos, gestores de escolas, técnicos das Coordenadorias Regionais de Ensino e equipe técnica da SMED) que estão implementando a proposta de educação integral. Inicialmente, o trabalho envolve a formulação de texto sobre a dimensão diagnóstica e conceitual, após será o momento da formulação de metas e de ações que materializem esta política pública.

 

Cenpec: O que as falas dos educadores têm evidenciado sobre essas questões?
OMA: Durante as discussões foi feito um diagnóstico da situação atual da educação na rede pública de Salvador. Abordamos, por exemplo, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a política de ciclos, o currículo e a avaliação institucional se articulam com a educação integral. Esses encontros têm suscitados debates e reflexões sobre esses temas. Verificamos que há resistência à progressão continuada e questões a serem tratadas sobre o acompanhamento pedagógico dos alunos e a utilização do Ideb e dos resultados da Prova Brasil nas escolas. Esse debate tem sido muito positivo e é importante que a proposta tenha uma interlocução com os educadores da rede.

 

Cenpec: Em que medida a proposta de uma Educação Integral dialoga com a discussão sobre currículo?
OMA: Uma concepção de educação integral envolve uma ampla discussão sobre o currículo. A nossa proposta é que haja uma articulação curricular mais consistente. Ainda hoje é forte a ideia de que as atividades desenvolvidas no contraturno não são de responsabilidade da escola, e sim das organizações e outros profissionais envolvidos. É como se fosse uma coisa para pobre, apenas para ocupar o tempo. Isso precisa ser superado. A Educação integral traz diversas implicações que deverão ser consideradas pela rede de ensino. Não se trata apenas de ampliar a jornada, é necessário assegurar infraestrutura, merenda, formação dos profissionais envolvidos, momentos de discussão nos horários coletivos de planejamento pedagógico, entre outros.

 

Cenpec: O currículo da educação integral é ponto de disputa?
OMA: O PNE colocou a Educação Integral entre suas metas de forma genérica, sem especificá-la. Novamente, não basta apenas ampliar o tempo de permanência na escola. Temos que lembrar que o nosso Ensino Fundamental sempre foi marcado por jornadas muito curtas. Ao mesmo tempo, há um discurso de que a escola regular sempre privilegiou a dimensão cognitiva, e que agora, com a Educação Integral, é preciso articular as dimensões cognitiva, social, afetiva e psicológica. Essa integração é fundamental. Contudo, temos que relativizar essa crítica, porque parece que a aprendizagem das disciplinas tradicionais é algo que já está garantido, mas vários indicadores comprovam que essa questão ainda não está resolvida.



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