Notícias

Infância e Juventude

Tamanho da fonte: A- A+ imagem_evento

Publicada: 28/07/2015

Pesquisa traz dados reveladores sobre o que pensam crianças e os jovens de SP

Por Christiane Gomes

 

Nossa São Paulo divulga os resultados da IRBEM Criança e Adolescente

Os resultados da pesquisa IRBEM Criança e Adolescente, desenvolvida pelo GT de Criança e Adolescente da Rede Nossa Paulo, em parceria com o Ibope Inteligência, foram divulgados em evento público realizado em 23 de julho, no Sesc Consolação, na capital paulista. A pesquisa apontou que 61% dos entrevistados têm medo de “assalto e roubo” e 21% da ação policial. O receio em relação à “polícia” aparece em outro dado do levantamento. Ao avaliar “o modo como as pessoas são tratadas pelos policiais”, as crianças e adolescentes entrevistados atribuíram nota média de 4,3, a pior na área de “segurança e proteção”.

 

Outra realidade revelada pela pesquisa foi a desigualdade de gênero sofrida pelas meninas na cidade. Enquanto para os meninos o tempo livre é dedicado às brincadeiras e esportes como o futebol, as meninas usam seu momento de recreação para ajudar nos serviços domésticos, o que prejudica a percepção delas com a qualidade de vida na cidade. Além disso, o sentimento de segurança é menor entre as garotas.

 

Após a apresentação dos números da pesquisa foi realizada uma roda de conversa que além da participação de Eduardo Suplicy, Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, e de Ana Estela Haddad, primeira dama da cidade, contou também com a participação de jovens como Rodrigo Hermógenes, que participou do projeto Intermídia Cidadã, da Fundação Tide Setúbal; Beatriz Stefanie, da Revista Viração, e Jonathan Saint, da Agência Jovem de Notícias da Agência Jovem de Notícias.

 

Eles comentaram os aspectos reveladores da pesquisa aqui citados, a desigualdade de gênero e a violência policial. A precariedade dos equipamentos públicos culturais localizados na periferia também foi ponto de discussão. Para Rodrigo, não basta ter um centro cultural ou uma praça se eles não contam com infraestrutura e não têm uma programação que atraia a juventude daquele território. Segundo ele, muitas vezes, o poder público pensa apenas em um caráter meramente profissionalizante, mas sem saber de verdade o jovem quer ser. “Não diminuindo ocupações como padeiro, eletricista, etc, mas o jovem da periferia também tem seus sonhos. Ele não quer ser apenas mais um”, afirmou ele que também criticou a ação da polícia nos territórios vulneráveis da cidade. “Eu já fui assaltado, mas o ladrão levou apenas minha carteira e meu celular. Nas abordagens policiais eles podem levar da gente nossa integridade física e nossa dignidade”, refletiu o jovem.

 

Ao todo, foram entrevistados 805 crianças e adolescentes, de 10 a 17 anos, das diversas regiões da cidade e de distintas classes sociais. Eles responderam sobre temas do cotidiano da juventude, como escola, amigos e até conhecimento e avaliação das instituições, como a Prefeitura e a Câmara Municipal.  O coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Criança e Adolescente da Rede Nossa São Paulo Raniere Pontes, lembrou que a realização da pesquisa é resultado de um sonho de mais de dois anos e mostra que as crianças e os adolescentes da capital não se sentem protegidos e seguros na cidade.

 

 

“Convidamos a todos para que utilizem os dados, da forma mais ampla possível, para que este cenário se transforme. Que eles sejam cuidados e protegidos e não mandados para a cadeira”, afirmou ele que ao final de sua fala foi enfático: “Não à redução da maioridade penal!”.

 

A atividade se encerrou com uma apresentação de rap do grupo Matéria Rima, formado por jovens da periferia da zona sul da cidade.

 

Acesse os dados completos da pesquisa.



Comentários(0)

Observação: as opiniões aqui publicadas são de responsabilidade apenas de seus autores. Os números de IP dos responsáveis pelos comentários estarão à disposição de vítimas de eventuais ofensas veiculadas neste espaço.

O que fazemos

  • Assessoria as políticas educacionais, sociais e culturais
  • Formação de agentes educacionais, sociais e culturais
  • Implementação de programas e projetos
  • Produção e disseminação de conhecimento

Como fazemos

Nossas Redes

Abong Rede Nossa São Paulo Rede primeira infância Todos Pela Educação