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Curso Caminhos da Escrita

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Publicada: 16/09/2015

Professoras usam funk na sala de aula para ensinar artigos de opinião

Reportagem do UOL Educação conta o trabalho de docentes que participaram do curso Caminhos da Escrita, da Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Cenpec. Confira abaixo.

 

Fonte: UOL Educação

Lucas Rodrigues
Do UOL, em São Paulo

16/09/2015 - 05h00

 

  • Marlúcia Brandão (à dir.) com a exposição dos resultados da pesquisa sobre funk

    Marlúcia Brandão (à dir.) com a exposição dos resultados da pesquisa sobre funk

 

Uma professora de Minas Gerais e outra do Espírito Santo resolveram introduzir nas aulas algo que já faz parte da rotina de seus estudantes: o funk. O gênero musical ajudou a levantar discussões sobre luta de classes, posição da mulher na sociedade e preconceito. Após os debates, os alunos produziram artigos de opinião sobre o tema.

 

"Sempre vemos os alunos ouvindo funk, mas nunca havíamos usado em sala de aula. A ideia surgiu quando duas alunas estavam discutindo sobre o assunto. Uma pedia para que a outra parasse de ouvir aquela música que 'não era de gente'", conta Marlúcia da Silva Souza Brandão, professora de português em Marataízes (ES).

 

Ela estava trabalhando poesia com a turma do 1º ano do ensino médio e resolveu apresentar a música "Fico Assim Sem você", da dupla Claudinho e Buchecha. As aulas sobre o gênero fizeram parte do projeto de práticas de letramento do curso à distância "Caminhos da Escrita", uma das atividades de formação do Programa Escrevendo o Futuro, da Fundação Itaú Social.

 

Após as aulas de debate, a turma realizou um júri simulado, no qual o funk foi para o "banco dos réus". Os alunos que eram a favor viraram os advogados de defesa e os que eram contra, a promotoria. "Eles tiveram que ter uma argumentação sólida, fazer uma defesa ou acusação com o ponto de vista deles", conta Marlúcia. Ao final do processo, os estudantes escreveram artigos de opinião.

 

"Alguns alunos que nunca falaram começaram a falar, porque é um assunto do domínio deles. Um estudante escreveu pela primeira vez um texto", conta. "Nossa escola atende a todos os bairros da cidade. Há três áreas carentes onde a droga impera. Recebemos todo tipo de aluno na sala de aula."

 

Funk na comunidade

Rosilene Maria Nascimento, professora do 9º ano em Contagem (MG) e em Belo Horizonte, conta que dá aula numa escola que fica numa comunidade onde há muitos bailes funk. "Aqui eles cantam no meio da aula. Eles trazem um radinho para a sala", conta.

 

"Com o projeto de funk, eles começam a notar que a escola os reconhece, que os entende, que a linguagem deles não é tão distante, que funk é uma cultura e que essas práticas têm a ver com identidade", acredita Rosilene.

 

Os alunos de Marlúcia fizeram uma votação na comunidade para saber qual era o tipo de funk favorito, entre melody, proibidão, ostentação, gospel e consciente, e se eram a favor ou não do gênero. A resistência ao funk é menor entre os alunos do ensino fundamental (no 6º ano, 79% são a favor) e maior entre os pais (78% se dizem contra).



UOL Educação
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